4 de novembro de 2009

minha história bíblica começa com o cheiro do campo


.......em agosto

meu paleolítico chega apenas até minha própria infância

prosódia dos vagões ferroviários

do correr descontínuo do tempo

ontem foi há três semanas

cachos de dias penduram-se fora no passado

meu desassossego é a vista das águas que são

.......partidas pelos remos das canoas

meu desassossego é o barulho dos dados

.......que rolam sobre a tábua da mesa

Ângulos dobram-se tortos sobre minha cara

 
HELMUT HEISSENBÜTTEL (tradução de Ricardo Domeneck)
 
via Modo de Usar & co
dica do Sérgio Mello
o senhor
ao meu lado
tem o chapéu
abaixado
sei que ele chora
e o trem nos leva
até sua mulher
morta
ontem
no temporal

solidão segue a ferrovia
longe desperto
ontem mesmo
o boteco tava aberto
agora não há grito que preencha
nosso silêncio

(Augusto Silva)

3 de novembro de 2009

festa


31 de outubro de 2009

Satyrianas II

Caros,




Vem aí mais uma edição das Satyrianas. Este ano pico cartão em dois trampos: Um, na TENDA DO DRAMAMIX muito bem acompanhado, tenho obrigação de reconhecer: da atriz Fabiana Vajmam e do escritor, ator, dramaturgo, o diabo, Márcio Américo. Mó orgulho. Mó orgulho. Vamos fazer a peça HAPPY DAY um besteirol sem precedentes que divido, em texto, com o Márcio e a Fabiana, corajosa e louca que é, defende pra gente. Esse trampo vai ser às 19h00 horas do Sábado, dia 31.

Outro trampo é um texto que eu gosto muito e o Marcos Loureiro dirige com saber e maestria: O MEU VIRA LATAS SÓ OUVE BE BOP.

Na zaga, a minha amiga e parceira de outros carnavais, a atriz, talentosa pacas, Zeza Mota e o meu brother, Paulo de Tharso que, penso eu, dispensa qualquer milonga. Quem conhece sabe o poder de fogo desse Cara. Esse trampo vai ser na TENDA RESIDÊNCIA com Curadoria do meu amigo, o dramaturgo Mário Bortolotto. E vai ser, olha só, também no Sábado, 31/10 às 00:30 (num teco do domingo, ok?)

É isso.

Apareçam.

A gente vai se divertir.

Quem quiser saber a programação completa das Satyrianas, dá um clic aqui ó:
http://satyros.uol.com.br/noticia.asp?id_destaque=1


Grande abraço
Jarbas Capusso Filho
http://uivoslatidosefuria.zip.net/index.html

Satyrianas I


"E eu queria falar mais. Eu queria falar tanta coisa sobre esse texto. O final é lindo. Tudo é bem bonito. Mas eu sou suspeito, né? Nada. Eu sou culpado. Sempre fui. Preciso arranjar um jeito de colocar epígrafes em teatro. Não, dedicatórias. Se isso fosse possível. Agora. Se isso fosse possível agora, eu colocaria bem assim: Para F." Sérgio Mello






Apareçam.

28 de outubro de 2009

Pra começar: não sou vegetariana e não tenho planos de me tornar uma. Acho que a cadeia alimentar é assim mesmo e que provavelmente agimos de forma muito prepotente quando dizemos que somos animais muito evoluídos para continuarmos comendo outros animais. Discordo, só porque pensamos (às vezes) não significa que somos evoluídos, se o planeta parasse de consumir carne o equilíbrio ecológicvo iria pro saco, não é preciso ser expert pra entender isso. Porém, há que se ter bom senso e um tiquinho de humanidade, coisa que a maioria das mega empresas não tem ao testar suas coisinhas nos animais. Very sad. Nesse ponto faço coro aos que dissem "somos muito evoluídos pra isso", porra e essa tecnologia toda? Existem algumas empresas apóiam essa causa e é verdade que a maioria cobra a mais por isso, mas é um sacrifício justo. Né?

Lista das empresas más no Figurama

26 de outubro de 2009

hoje!


24 de outubro de 2009

33a Mostra Internacional de Cinema

programação

22 de outubro de 2009

Henry Cartier-Bresson



Ontem almocei com minha querida amiga Renata Forato, falamos sobre filhos e a dificuldade em arrumar alguém para cuidar deles, discutimos sobre o tom rosa de um esmalte recém comprado e ganhei algumas roupas que não lhe serviam mais; porém, entre uma futilidade e outra, falamos sobre Cartier-Bresson. Eu não entendo lhufas de fotografia, mas sou uma apaixonada e até arrisco umas fotinhas vagabas.
Esse homem foi um gênio, daqueles que só conseguimos enxergar com as lentes do passado, penso no que teriam dito os seus contemporâneos ao vê-lo prostrado por horas no topo dessa escada esperando que a foto acontecesse. Sinto que além da genialidade nos falta tempo, sinto que a rotina é um imenso moedor de carne e que para sobrevivermos deveremos estar em eterna fuga.

20 de outubro de 2009

Raphael Saadiq - Let's Take A Walk (link)

Manhãs Incertas

Ela deu de dar risada pelos cantos, de acordar cedo e preparar cuidadosamente o café da manhã como se esperasse alguém. Ela deu de ficar bêbada com três cervejas e sair sem pagar a conta do bar, ela deu de dançar nua sob a chuva, de sair de cachecol em dia de sol... Deu de pensar em petecas, peões e carrinhos de rolemã... Brincava de pique esconde de madrugada, desvendando os quarteirões. Outro dia comprou um saco de dadinhos, sentou na calçada e comeu tudo sozinha. Deu dor de barriga e ela correu pro banheiro da rodoviária.


Lembrou de tudo então, lembrou que cabulava aula e ficava a manhã toda na rodoviária, conversando com as senhoras que lhe ofereciam broas de milho e biscoitinhos doces de nata, lembrou que pulava o muro da outra escola só pra ver os amigos, porque a escola em que ela estudava era de padres e era engraçado cabular aula ao contrário...

Lembrou da primeira vez que um garoto lhe pôs a mão na bunda. Ela estava presa nos arames farpados do estacionamento da escola, o sinal já tinha batido, aquele cara se aproximou e ela disse: "Ei, me ajuda!" e ele ficou sem jeito de pegar na bunda, mas ela dizia: "Deixa de frescura, eu não ligo, não tem outro jeito..." Depois eles se tornaram grandes amigos... mas ela não sabe mais onde ele está, aliás, ela não sabe onde estão alguns dos melhores amigos de infância, uns se tornaram jornalistas, fisioterapeutas, advogados... alguns deram pra vadiar, outros inventaram de morrer...

Numa noite quente ela foi buscar cervejas no bar 24 horas, a senhora ao entregar a sacola se ateve por um instante muito demorado, olhou bem fundo e perguntou: "É você, não é?", temerosa ela disse que sim, e a senhora continuou: "Você não mudou nada... não se lembra de mim? Sou a tia Isabel!"

Tia Isabel era a tia do jardim de infância. O engraçado é que as duas nunca mais tinham se encontrado e isso tornou a noite bastante insólita... No jardim de infância, ela lembrou, havia um garoto que sempre a trancava no banheiro e isso lhe dificultou muito as idas ao banheiro, parece até que foi a primeira vez que desprezou alguém...

Ela deu pra lembrar de muita coisa, deu de comer doce de leite com a mão, de apertar a campainha e sair correndo... que sacanagem boa!

E ninguém sabia o que tinha acontecido, uns diziam que estava grávida, outros, que estava ficando louca. Mas não era nada disso...

É que as manhãs tinham se tornado incertas, as noites estavam mais quentes e ela permitiu novamente se apaixonar pelo cotidiano, gozar as pequenas aventuras diárias, soltar pipa, pescar girinos, desenhar as nuvens, esfolar os joelhos, subir nas árvores, beijar laranjas, roer unhas, explorar esgotos, entrevistar o invisível, nadar em córregos, brincar de polícia e ladrão, fugir da escola, comer sozinha uma saco inteiro de balas chita, guerra de pipoca, mão boba...

L. (2005)

19 de outubro de 2009

4 fun


16 de outubro de 2009

Diamanda Galas - I Put a Spell on You (live)*


* uma cortesia de Fernanda D'umbra

Corinne Bailey Rae, John Legend & John Mayer :: Like a Star